
É com profundo pesar que o SINTFUB comunica o falecimento de um dos seus membros mais identificados com a história da entidade, Francisco de Assis Menezes Rodrigues, carinhosamente conhecido como Chicão do SINTFUB ou Chicão do PT.
Francisco de Assis Menezes Rodrigues faria 66 anos em outu bro. Nascido no Rio Grande do Norte, tornou-se brasiliense de coração. Era pai de duas filhas, avô de um neto e esposo de Geralda Cardoso. Formado em Ciências Biológicas, Chicão era uma pessoa sensível, profundamente humana e intensamente comprometida com as pessoas. Não escondia a emoção e, muitas vezes, as lágrimas eram a expressão sincera de seus sentimentos. Ao mesmo tempo, demonstrava firmeza, serenidade e uma admirável capacidade de diálogo, qualidades que marcaram sua trajetória e fortaleceram a luta coletiva.
Ingressou ainda jovem na Universidade de Brasília e quando aposentou estava lotado na Faculdade de Medicina. Dedicou a vida à família, ao trabalho e à militância. Ao longo de várias gestões, integrou a Coordenação do SINTFUB, foi diretor da FASUBRA Sindical e da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF), além de dirigente do PT, construindo uma trajetória marcada pelo compromisso inabalável com a defesa da classe trabalhadora, da educação pública e dos direitos dos servidores técnico-administrativos em educação.
São incontáveis as histórias que poderiam retratar sua caminhada. Amigos e companheiros de mais de três décadas de convivência recordam um militante incansável, sempre presente nas lutas em defesa dos servidores técnico-administrativos em educação da UnB e da categoria em âmbito nacional.
Durante a pandemia de Covid-19, período em que o sindicato permaneceu atuante, junto com trabalhadores do Hospital Universitário de Brasília (HUB), da segurança e de tantos outros setores que seguiram trabalhando, e diante dos cortes orçamentários e dos ataques aos serviços públicos promovidos pelo governo Bolsonaro, Chicão esteve na linha de frente da mobilização. Enquanto denunciava o desmonte do Estado e defendia a universidade pública, enfrentava, ao lado dos companheiros, um dos períodos mais difíceis da história recente do país.
O ex-diretor do SINTFUB Francisco de Assis Menezes Rodrigues, Assis, relembra que, naquele período, “estávamos todos os dias na Câmara dos Deputados em ações contra os cortes no orçamento das universidades. Chicão, com seu conhecimento e sua postura conhecida, dialogava com os parlamentares, intercedia em defesa dos trabalhadores e enfrentava aqueles que atacavam o serviço público. Em uma dessas ocasiões, após ouvir de um parlamentar que ‘vocês, servidores, podem morrer; são inúteis para o povo’, Chicão respondeu que, apesar de ele se dizer religioso, não sabia o que era ter Deus no coração. Em seguida, virou as costas e seguiu sua luta”.
Assis resume o companheiro que conheceu:
“Chicão não media esforços para ajudar os companheiros. Foi assim durante a pandemia e também enquanto enfrentava a doença. Continuou sempre ativo, presente e lutando pelos trabalhadores.”
Francisca Nascimento, a Chiquinha, que compartilhou com Chicão a coordenação dos aposentados do SINTFUB, e muitas outras missões da luta no SINTFUB, resume o sentimento de quem conviveu e lutou ao seu lado:
“Ele deixa um legado de luta e resistência desde a criação do nosso movimento. Nossa trincheira perdeu um de seus dirigentes. Mas Chicão continuará presente em nossas ações, na luta incansável em defesa dos nossos direitos e da democracia.”
A coordenadora-geral do SINTFUB, Carla Vizzotto também expressa seu pesar e aprendizados:
Um grande companheiro, uma história de luta e dedicação pelas pautas das trabalhadoras e trabalhadores, dentro da UnB e fora dela! Pra mim, foi um amigo de muitas e longas conversas, sempre escutando e também compartilhando os ensinamentos e as experiências da sua trajetória. Sempre muito respeitoso no diálogo, me sinto grata pela nossa convivência e por tudo que pude aprender com ele!
Militante petista e cutista, mesmo durante o tratamento da doença descoberta no ano passado, Chicão jamais se afastou da luta política. Na última semana, participou do XIII Encontro de Aposentados da FASUBRA. Em agosto, esteve presente no XXIV Congresso do SINTFUB. Até seus últimos dias, dedicou-se à campanha pela reeleição do presidente Lula e dos demais candidatos do partido ao qual sempre esteve comprometido, defendendo a classe trabalhadora, a democracia, a educação pública e um país mais justo.
Foi assim até a madrugada deste 26 de setembro de 2026. Depois de uma semana intensa de atividades, seguiu para mais uma sessão de quimioterapia, mas não resistiu. Chicão lutou durante toda a vida e, nos últimos meses, lutou também pela própria vida. Enfrentou a doença com a mesma coragem, dignidade e esperança com que enfrentou todas as batalhas de sua trajetória.
Companheiro de tantas lutas, conquistas e alegrias, Chicão deixa um legado que transcende os cargos que ocupou e as funções que exerceu. Sua história permanecerá viva na memória de todos aqueles que caminharam ao seu lado e continuará inspirando as futuras gerações de lutadores e lutadoras.
Neste momento de profunda dor, o SINTFUB manifesta sua solidariedade à esposa Geralda, às filhas, ao neto, aos familiares, amigos e companheiros de militância. A ausência de Chicão será sentida, mas seguimos lutando e sua história permanecerá presente em cada mobilização, em cada conquista e em cada luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.
O SINTFUB registra, com imensa tristeza e profunda gratidão, esta singela homenagem àquele que dedicou sua vida à construção de um sindicato forte, combativo e comprometido com a defesa da classe trabalhadora.
Companheiro Chicão, presente! Hoje e sempre!
Até o momento não há informações sobre o velório e sepultamento, assim que houver detalhes faremos a divulgação


