Reitoria da UnB emperra implementação da jornada de 30 horas

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A jornada de trabalho de 30 horas semanais é uma luta histórica dos técnico-administrativos da UnB e da maioria das demais universidades do Brasil. Entretanto, se depender da reitoria da Universidade de Brasília, o pleito da categoria será soterrado pela falta de vontade política. O tema foi abordado no terceiro painel do XVIII Consintfub, iniciado nesta terça-feira (17).

Apesar de a jornada de trabalho de 6 horas diárias ser uma das promessas de campanha do reitor da UnB, Ivan Camargo, ele faz vista grossa à autonomia universitária e afirma que a flexibilização da jornada de trabalho depende da vontade dos órgãos de controle externos da UnB. Ele chegou a afirmar em entrevista para jornal de grande circulação que, com essa pauta, os técnico-administrativos só poderiam estar “em outro mundo”.

Na prática, ao invés de dar prosseguimento à implementação da jornada flexibilizada em toda Universidade, ele retirou dos locais que já haviam adotado o sistema. “Havia setores que já faziam as 30 horas há mais de 10 anos”, disse a técnica-administrativa Socorro Marzola, que debateu o tema das 30 horas no painel desta terça-feira do XVIII Consintfub.

Ela ainda critica a vinculação de uma suposta flexibilização da jornada de trabalho para seis hora diárias à fiscalização de assiduidade dos trabalhadores por ponto eletrênico. “A legislação diz que o controle de frequência pode ser feito por ponto eletrônico ou folha de ponto, mas a reitoria decidiu que seria ponto eletrônico. Um absurdo!”, denuncia.

Para Socorro Marzola, a luta pela jornada de trabalho flexibilizada “tem que ser prioridade”. “Temos que discutir com as demais universidades que já garantiram o sistema, mas, principalmente, fazer com que toda a comunidade universitária vejam a importância do funcionamento da universidade em horário integral, o que só é possível com a flexibilização da jornada”, afirma.

A servidora ainda denunciou que a comissão responsável pelo andamento da análise dos processos de pedido de flexibilização enviados pelos setores da UnB estão parados. “A reitoria não convoca a comissão, apesar de já termos indicado o nomes”, denuncia.

Jorge Luiz Fernandes, da Fasubra – federação que representa os técnico-administrativos em educação -, que também participou do painel do XVIII Consintfub, lembra que “ao longo da história, foi analisado e comprovado que é
preciso trabalhar menos para poder viver mais”. “Eu quero as 30 horas por que eu quero viver”, diz.

O XVIII Consintfub segue com a programação nesta quarta (18) e quinta-feira (19). Ainda serão abordados temas como carreira, terceirização do serviço público, opressão e assédio moral. O Congresso é realizado no auditório 3 da Faculdade de Ciência da Saúde da UnB.

admin

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