Manifestantes tomam a Rodoviária e dizem Não ao PL 4330

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Para finalizar um bem sucedido dia de intensas lutas e de paralisações, convocadas pela CUT e pelos principais movimentos sindicais e sociais, centenas de manifestantes tomaram a Rodoviária do Plano Piloto no final desta quarta-feira (14) para dizer Não PL 4330, aos ladrões de direitos e ao retrocesso. A concentração começou às 16h em frente à CUT Brasília, no Conic, e seguiu por volta das 17h em direção à Rodoviária, onde a militância distribuiu material e esclareceu a população sobre o maior roubo de direitos trabalhistas da história que o PL 4330 promoverá se for aprovado pelo Congresso.

Milhares de motoristas de ônibus e cobradores, trabalhadores da limpeza urbana, comerciários, bancários, vigilantes, terceirizados em serviços, trabalhadores dos Correios, técnico-administrativos e docentes da UnB, tecnólogos de informação e processamento de dados, professores do GDF, servidores públicos federais, distritais e municipais de São João d’Aliança paralisaram suas atividades total ou parcialmente ao longo do dia ou realizaram atos de protesto e esclarecimento nos locais de trabalho.

O Dia Nacional de Luta e Paralisação foi realizado em todo o país e, em Brasília, contou com a participação dos sindicatos filiados, movimentos de trabalhadores rurais sem terra, diversas frentes de movimentos estudantis e demais entidades comprometidas com os direitos da classe trabalhadora e da sociedade em geral.

Com o texto-básico aprovado na Câmara com facilidade devido à enorme influência da bancada patronal que é apoiada financeiramente pelos empresários, o Projeto de lei 4330, conhecido como PL da escravidão, está sendo emendado ainda pelos deputados. Em seguida, tramitará no Senado, podendo voltar para a Câmara caso receba alterações. Por fim, vencida todas as etapas, caberá à presidente Dilma sancionar a lei.

Apoio da população

Nos discursos dos dirigentes em ato na Rodoviária, todos ressaltaram e detalharam os prejuízos que o PL 4330 traz à classe trabalhadora, com a liberação da subcontratação em todas as atividades (meio e fim), precarizando as relações de trabalho, reduzindo salários e aumentando demissões, rotatividade e jornada de trabalho. Dirigentes dos servidores públicos apontaram o golpe que o projeto dá no funcionalismo público, com uma progressiva extinção dos concursos e dos planos de carreiras e salários, subcontratando serviços de terceiros, afetando a qualidade do trabalho e dos serviços à população.

“O PL 4330 joga no lixo a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, conquistada com muito sangue e suor por todos os trabalhadores. Antes de ser votado, muitos parlamentares se comprometeram a marcar posição contra o projeto e depois acabaram votando a favor. Aqui em Brasília, a única deputada que manteve sua posição em favor dos direitos da classe trabalhadora foi a Érika Kokay (PT). Por isso, estamos aqui hoje denunciando os ladrões de direitos, parlamentares que deviam representar o povo mas na verdade estão comprometidos com os grandes empresários e não se preocupam minimamente com a qualidade do serviço público e com quem constrói esse país, que são os trabalhadores”, afirmou em seu discurso o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.

Mais do que afetar salários, jornada e emprego, o projeto ainda reduz direitos de representatividade sindical, reconhecendo majoritariamente os sindicatos patronais em detrimento das representações dos trabalhadores. O PL 4330 cria subcategorias com as subcontratações, sem vínculos com sindicatos da categoria originária. O projeto fragmenta as categorias e dilui os sindicatos, atacando frontalmente o poder de organização dos trabalhadores.

A população usuária da Rodoviária recebeu com agrado os manifestantes, pegando e lendo os panfletos explicativos sobre o PL 4330, levando cartazes ou comentando as faixas que denunciam os deputados que traíram os trabalhadores ao votar a favor do projeto de lei e pedindo bixigas com a inscrição “Não ao PL 4330″.

Fonte: CUT Brasília

admin

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