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Margaridas marcham em Brasília por terra, paz e democracia

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Representantes do Sintfub estavam presentes na Marcha das Margaridas

Por: Camila Piacesi

Mais de 30 mil agricultoras familiares, ribeirinhas, quilombolas, pescadoras, extrativistas, camponesas, quebradeiras de coco, trabalhadoras urbanas e dos movimentos feministas e de mulheres indígenas participaram, na manhã desta quarta-feira (14), da 6ª Marcha das Margaridas, que saiu do Pavilhão do Parque da Cidade e foi até ao Congresso Nacional.

O tema principal do protesto deste ano foi “margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”.

A marcha focou o combate à pobreza, o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres do campo, das florestas, das águas e da cidade. As margaridas também denunciaram os cortes dos programas sociais, a criminalização dos movimentos sociais, os assassinatos de ativistas, o assédio às mulheres e a violência contra as mulheres.

O ato final foi em frente ao Congresso Nacional com intervenções de parlamentares e lideranças sociais e sindicais. O ex-candidato à Presidência da República, Fernando Haddad, esteve presente e leu uma carta do Luiz Inácio Lula da Silva para as Margaridas.

Na carta Lula falou que por oito anos sempre recebeu os movimentos sociais. E que começou a construir um país ideal, onde toda mãe teria o que dar de comer para os seus filhos, quem trabalhe no campo teria que colher, jovens teriam condições de estudar e oportunidade de emprego, mas que este processo foi interrompido. Lula lembrou também dos programas de aquisição de alimentos, do ProUni e da valorização do salário mínimo, medidas que promoveram o bem estar social de quem mais precisa. “No entanto, parece que cuidar de quem precisa, no Brasil, atinge interesses de poderosos”, ressaltou no documento.

Em tom de tristeza, Haddad disse que, de acordo com a carta de Lula, “agora o Brasil é governado pelo ódio e pela loucura daqueles que falam fino para os poderosos, mas fingem de valentes para os inocentes e fracos”.

Ao final, Haddad leu: “Mesmo que me coloquem paredes que me impedem de estar aí pessoalmente, fisicamente, continuamos juntos, lado a lado nesta Marcha”. Foi a frase terminar e a marcha entoar o canto que mais se ouve pelo Brasil hoje: “Lula Livre”.

Após a carta de Lula, várias deputadas subiram ao trio para falar a multidão de margaridas que não paravam de chegar ao Congresso. A marcha foi dividida por delegações de cada estado. Elas carregavam instrumentos musicais e entoavam seus cantos típicos de luta do campo.

A deputada Elizangela Moura disse as mulheres têm que ser protagonistas da própria luta. “Estamos nas ruas porque não aceitamos esse modelo de desenvolvimento que o governo quer trazer para nós. Não aceitamos a reforma da Previdência que prejudica principalmente as trabalhadoras rurais, pois no campo as mulheres começam a trabalhar aos oito anos de idade”, explicou.

Motivada pela luta contra a reforma da Previdência, Maria Ramos, agricultora familiar no Ceará, veio para a Marcha das Margaridas. Para ela, as agricultoras não podem perder seus direitos e é preciso que se mantenha, no mínimo, “o que já temos garantido em lei”.
Após o encerramento do ato pela diretora da Contag – Confederação Nacional da Agricultura, Mazé Morais, as margaridas voltaram para seus estados. A marcha é realizada desde 2000 e acumulou muitas conquistas. O nome Margaridas é uma homenagem à Margarida Alves, líder camponesa da Paraíba, que foi assassinada em 12 de agosto de 1980, aos 50 anos de idade.

 

 

 

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